Houve uma época em que tudo era mais fácil para quem gosta de apreciar música…
Quando havia (contados a dedo) dez grandes nomes de sucesso, dez principais categorias musicais… e cada estrela lançando um disco uma vez no ano. Ai você ficava aguardando o próximo lançamento enquanto ia degustando faixa por faixa o novo trabalho do seu artista favorito. Praticamente você estudava, decorava, consumia o novo LP, por exemplo, do Pink Floyd. Tudo acontecia num ritmo slow (e)motion. Era como fazer amor nas areias de Itapuan: despacio, muy lento…
Hoje em dia é preciso paciência e exposição a angustias e frustrações para realizar o mesmo processo de antes.
Acompanhar a cena musical agora é como tentar pegar peixe numa represa que acaba de estourar e dela vai saindo – em profusão – um turbilhão de peixes bons e outro porrilhão de bichos diversos, distintos mutantes, criaturas afins.
O pânico de passar batido com alguma coisa super legal no meio desse caos faz com que você passe a escutar tudo ao mesmo tempo agora e acabe retendo o mínimo. Fragmentos do muito; pouco do bom.
A relação com tudo se torna efêmera e fugaz.
2 Comentários
31/08/2008 às 22:51
Compartilho desta mesma angústia. Bom mesmo, é quando aquela banda que você não ouviu ou está em dúvida, já passou pelo filtro do seu amigo antenado e de bom gosto, é um atalho no caos. Há anos tenho pego carona nas tuas dicas, Bob. Adorei o texto!!!
02/09/2008 às 16:54
Adorei o texto. Vinha pensando nisso ultimamente. E essa facilidade q hj existe p os artistas gravarem seus CDs tem jogado mta porcaria no mercado. A gte tem q peneirar mto.
Hey, keep writting!