Some Velvet Morning/Lee Hazlewood (com Nancy Sinatra)

Descobri “tarde demais” uma figuraça do mundo pop: Lee Hazlewood.
No final de semana passado, ele morreu de câncer aos 78 anos e eu somente esbarrei com uma música dele no dia seguinte à sua morte, quanto entrei “acidentalmente” no perfil do box.net de uma grande amiga que estava inaugurando seu espaço por lá ao fazer o upload de sua primeira música, exatamente uma de Lee. Pedi para ela a “permissão” para postar aqui no Vitrola uma das canções de Hazlewood e ela ainda me mandou um texto bem legal.

Segue um texto referência bem legal que este tal de Jan Fjeld escreveu em 2003, (aliás o Cd tributo é maravilhoso!!!) Recomendo tb a versão de Some Velvet Morning com o Primal Scream e os sussurros de Kate Snif Moss (sim , ela mesma!! ) .

O bigodão mais famoso da música pop
Jan Fjeld

O bigodão mais famoso da música pop dos anos 60 e 70, Lee Hazlewood, volta à cena com a coletânea “Total Lee – The Songs of Lee Hazlewood” (City Slang, 2002, sem distribuidor no Brasil), que traz 16 pérolas do compositor de “These Boots Are Made for Walking” interpretadas por artistas da atualidade.

Grupos como Lambchop, St. Etienne, Kid Loco, Jarvis Cocker, Evan Dando e Thinderstick homenageiam o compositor americano com regravações de alguns de seus sucessos, como “Some Velvet Morning”, “Sundown Sundown”, “Sand” e “Summer Wine”, e de outras canções menos conhecidas como “Soul’s Island” e “No Train to Stockholm”. Como diz Hazlewood no encarte: “Um álbum só com um montão de versões de hits seria muito bobo”.

Hazlewood é o pai do country alternativo, uma grande referência para a nova geração de pop rock semi-acústico na linha de Beth Orton e Badly Drawn Boy. Ele é o inventor dos arranjos grandiosos no pop, e chegou a usar 60 músicos para fazer uma canção de um minuto e meio. Não é um exagero dizer que o músico, hoje com 73 anos, é um dos maiores compositores vivos no panteão do pop -além de ser uma figura.

De voz grave e aveludada -“voz de whisky”, como ele mesmo diz- Hazlewood é um compositor de inúmeros sucessos, descobridor de talentos e o homem que, segundo a lenda, ensinou arranjo e produção ao mitológico Phil Spector.

Hazlewood descobriu Duane Eddy, escreveu grandes sucessos para Dean Martin, Frank Sinatra e sua filha Nancy, cuja canção “These Boots Are Made For Walking” se tornou um clássico do pop “ousado” dos anos 60.

Hazlewood tem um catálogo de mais de 300 músicas e cerca de 25 álbuns. O mais recente é “For Every Solution, There’s a Problem”, lançado em 2002, pela independente City Slang. (Some Velvet Morning/Lee Hazlewood [com Nancy Sinatra])

Agora vamos às pérolas de “Total Lee”:

“Some Velvet Morning”, com The Webb Brother – filhos de outro contemporâneo de Hazlewood, Jimmy Webb – mantém o clima sombrio da versão original de Lee e Nancy Sinatra. A música, dividida em partes de melodias diferentes que se intercalam, conta a história da cobiçada Pheadra. A parte que foi de Nancy Sinatra fica agora por conta da voz sussurrada de Laura Katter. Esta é a mais psicodélica das canções de Hazlewood. Ouça “Sundown, Sundown” em alta ou em baixa velocidade.

Em “Got It Together Again”, Sarah Cracknell, da banda inglesa St. Etienne, canta maliciosamente “I’ve been good, I’ve been mean” (‘eu fui boa, eu fui má’) e o moço, Nathan Bennet, responde: “I’ve been looking for a coke machine” (‘estive à procura de uma máquina de Coca’). Ao fundo, o som de alguém “fungando”. Ouça “Get It Together Again” em alta ou
em baixa velocidade. Esta, juntamente com “If It’s Monday Morning” reinterpretada pelo francês Kid Loco, são as duas músicas que mais explicitamente tratam o universo das drogas e álcool.

“No Train To Stockholm” é uma canção intimista de protesto. Ela foi escrita durante a guerra do Vietnã e era um comentário irônico de Hazelwood (que na época morava em Estocolmo), sobre os norte-americanos que moravam fora dos Estados Unidos e não estavam nem aí para a guerra que os EUA estavam travando na Ásia. Ouça “No Train to Stockholm” em alta ou em baixa velocidade.

Na música, Hazlewood fala que prefere ser preso a ir para a guerra. A versão é interpretada no formato voz, violão e piano pelo norueguês Erlend Oye, que quase sussurra uma misteriosa melodia. Oye alterou o refrão que no original é “Freedom is where you think it is” (‘a liberdade está onde você pensa que está’) e virou “Freedom is what you think it is” (‘a liberdade é o que você pensa que é’) -o que também faz sentido.

A música “Soul’s Island” traz outra referência da Suécia, país em que Lee morou durante os anos 70, e trata da vida na pequena ilha Goetland, que fica entre a Suécia e a Dinamarca. A música faz parte de uma trilha composta por Hazlewood para um filme sueco. Aqui a versão ficou por conta dos novatos de The Amazing Pilots. Ouça “Soul’s Island” em alta ou em baixa velocidade. O arranjo traz uma bateria quase inaudível, violão e violoncelo. Esta e a versão de Kathryn Williams para “Easy & Me” são alguns dos momentos de beleza pura do álbum.

Nas composições de Hazlewood há muita beleza etérea como na inacabada canção “Sundown, Sundown”, cuja versão mariachi da banda Calexico transporta o ouvinte para um pôr do sol em Tijuana. Mesmo assim, há momentos que beiram a breguice nas introspecções distorcidas, frases banais e refrões non sense. E é aqui que reside a atração do seu pop de fácil digestão: a ambigüidade das melodias, que embora fáceis de assobiar, soam sombrias e melancólicas. Ouça “Sundown, Sundown” aqui em alta ou em baixa velocidade.

Lee foi contemporâneo de Burt Bacharach -o mais conhecido mestre das “músicas de três minutos e meio”, com suas melodias inesquecíveis, refrões de fácil digestão e letras românticas. Os dois trabalharam o mesmo universo, mas enquanto Bacharach era urbano e sutil, com a sua melancolia chique, Hazlewood era o caipirão irônico, com um toque psicodélico.

Enquanto Bacharach utilizava elementos do jazz e da leveza sincopada da bossa nova, Hazlewood se inspirava na tristeza existencial do blues, da música sertaneja norte-americana e no universo sadomasoquista. A mocinha das canções de Bacharach acorda de manhã e reza por seu amor. A das canções de Hazelwood acorda, veste uma mini-saia, botas e pisa em seu homem -na dúvida se por prazer ou por raiva.

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2 comentários sobre “Some Velvet Morning/Lee Hazlewood (com Nancy Sinatra)

  1. eu adoro artistas do passado, amo todos eles, não sei porque, mas em particular o Elvis Presley, principalmente suas canções. Mas gosto de outros também como frank Sinatra

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